Grandes bancos de Wall Street tranquilizaram esta semana os mercados sobre a estabilidade do crédito privado, apesar de uma vaga de resgates, com executivos a sublinharem que o mercado de crédito privado de 1,8 biliões de dólares não representa risco sistémico para o sistema financeiro mais vasto, segundo declarações feitas durante conferências de resultados dos bancos. O Departamento do Tesouro dos EUA também concluiu que as investigações sobre questões no mercado de crédito privado não revelaram risco sistémico, afirmou na quarta-feira o secretário do Tesouro Scott Bessent.
O mercado de crédito privado enfrentou pedidos de resgate crescentes por parte de investidores nas últimas semanas, com pelo menos uma dúzia de fundos a restringir os resgates, de acordo com reportagens sobre os desenvolvimentos desta semana. A Apollo Global Management e a Ares Management implementaram limites de resgate, ambas alegando preocupações dos investidores com exposição a empresas de software ameaçadas por inteligência artificial, segundo relatórios de mercado. Apesar destas pressões, as empresas de crédito privado continuam a lançar novos fundos e a atrair capital, de acordo com a avaliação do Goldman Sachs.
O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, afirmou durante a conferência de resultados do banco que, embora o mercado de crédito privado tenha crescido até 1,8 biliões de dólares em dimensão, continua suficientemente pequeno do ponto de vista sistémico e não representa um risco importante para o sistema financeiro global. A avaliação de Dimon foi ecoada por outros executivos de bancos importantes durante as divulgações de resultados desta semana, de acordo com declarações disponíveis.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou esta posição na quarta-feira, afirmando que as investigações do Departamento do Tesouro e o trabalho sobre questões do mercado de crédito privado não encontraram risco sistémico. Bessent notou especificamente que “mesmo Jamie Dimon concorda com esta avaliação”, segundo os seus comentários públicos.
O responsável global por investimentos alternativos na divisão de gestão de patrimónios do Goldman Sachs, Kristin Olson, afirmou na quinta-feira que as empresas de crédito privado continuarão a atrair capital apesar das pressões dos resgates, devido aos prémios de rendimento que estes investimentos oferecem. Olson disse aos clientes que o Goldman Sachs recomenda a afectação de aproximadamente 25% de carteiras de investimentos de risco médio a investimentos alternativos, incluindo crédito privado, para clientes que consigam tolerar restrições de liquidez.
“Se conseguirem tolerar o risco de iliquidez, o que claramente clientes de ultra-elevado património conseguem, acreditamos que a parcela dos mercados privados da vossa carteira pode proporcionar retornos reais em excesso”, afirmou Olson, de acordo com a posição oficial do Goldman Sachs. “Se conseguirem ultrapassar a questão da iliquidez, então o retorno ajustado ao risco é muito atractivo.”
Olson caracterizou o actual ambiente de crédito privado como uma “oportunidade educativa” que beneficiará os investidores a longo prazo. Acrescentou: “Continuarão a ver esta classe de activos a crescer. Alguma desinformação anterior desencadeou algumas preocupações e, depois, as pessoas começaram a testar as janelas de resgate.”
Os principais bancos de Wall Street divulgaram exposição significativa a empréstimos a empresas de crédito privado. O JPMorgan Chase reportou aproximadamente $50 mil milhões em exposições relacionadas com crédito privado, a Wells Fargo reportou aproximadamente $36 mil milhões, o Citigroup reportou aproximadamente $22 mil milhões e o Bank of America reportou aproximadamente $20 mil milhões, segundo divulgações dos bancos feitas durante as conferências de resultados desta semana.
Os executivos bancários salientaram as suas capacidades de gestão de risco e protecções estruturais. O Citigroup notou especificamente que não sofreu quaisquer perdas na sua carteira de crédito privado durante o período dos investimentos, segundo a declaração da conferência de resultados do banco. Os executivos bancários destacaram que estabeleceram múltiplas medidas de amortecimento e mecanismos de protecção estrutural para gerir estas exposições.
Apesar de tranquilizar os mercados sobre a estabilidade, os principais executivos bancários posicionaram os actuais desafios do mercado de crédito privado como uma oportunidade de negócio significativa para os bancos tradicionais. Os bancos argumentaram que a sua experiência centenária nas operações de concessão de crédito — com algumas instituições a terem histórias que abrangem múltiplos séculos — lhes confere vantagens competitivas face às empresas de crédito privado, a maioria das quais surgiu após a crise financeira de 2008.
O CEO do Morgan Stanley, Ted Pick, caracterizou a classe de activos de crédito privado como estando numa “fase de aprendizagem” ou “adolescência”, segundo comentários na sua conferência de resultados. Dimon afirmou que quando os ciclos de crédito se invertem, “as pessoas poderão ficar surpreendidas ao descobrir que alguns participantes não têm competências para lidar com este tipo de negócio” e que os bancos acabariam por recuperar este negócio.
O CEO do Goldman Sachs, David Solomon, revelou que a divisão de gestão de activos da empresa angariou $10 mil milhões para as suas estratégias de crédito privado no primeiro trimestre, segundo a conferência de resultados do banco. Solomon sublinhou os “30 anos de historial em excelência no crédito privado” do Goldman Sachs, sinalizando a confiança do banco e o seu posicionamento competitivo no sector.
P: Qual é a dimensão actual do mercado de crédito privado?
R: O mercado de crédito privado atingiu uma dimensão de 1,8 biliões de dólares, segundo a declaração do CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, durante a conferência de resultados do banco esta semana.
P: Quais são os bancos de Wall Street com maior exposição ao crédito privado para concessão de empréstimos?
R: O JPMorgan Chase tem aproximadamente $50 mil milhões de exposição ao crédito privado, a Wells Fargo tem aproximadamente $36 mil milhões, o Citigroup tem aproximadamente $22 mil milhões e o Bank of America tem aproximadamente $20 mil milhões, segundo divulgações dos bancos feitas durante as conferências de resultados esta semana.
P: O Departamento do Tesouro dos EUA identificou riscos sistémicos no mercado de crédito privado?
R: Não. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou na quarta-feira que as investigações do Departamento do Tesouro e o trabalho sobre questões do mercado de crédito privado não revelaram risco sistémico, segundo os seus comentários públicos.