Supremo Tribunal da Coreia do Sul propõe regras para a apreensão de criptomoedas por dívidas civis

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A Suprema Corte da Coreia do Sul publicou em 2 de julho propostas de alterações às Regras de Execução Civil, criando um quadro padronizado para que os tribunais possam congelar, apreender e liquidar criptomoedas para satisfazer dívidas civis. A consulta pública decorre até 11 de agosto, com as regras previstas para entrarem em vigor a 1 de outubro. As alterações respondem a uma necessidade crescente de execução num mercado onde mais de 16 milhões de pessoas, aproximadamente um terço da população sul-coreana, possuem contas de criptomoedas.

Os tribunais passam a ter autoridade para congelar e liquidar criptomoedas detidas por trocas

De acordo com as regras propostas, uma ordem de apreensão emitida por um tribunal bloquearia imediatamente um devedor de transferir ou dispor dos seus ativos digitais. As trocas que detenham a criptomoeda afetada seriam obrigadas a entregá-los a um agente de execução judicial, momento em que a apreensão passa a ter efeito legal.

Os credores poderiam então receber a criptomoeda diretamente ou obter permissão do tribunal para liquidá-la através de um fornecedor registado de serviços de ativos virtuais. Para executar uma liquidação, o agente de execução deve abrir uma conta junto de um VASP, receber os ativos apreendidos e vendê-los ao preço de mercado.

Para altcoins ilíquidas que não possam ser facilmente convertidas em won sul-coreano, as regras permitem que os agentes as troquem por tokens mais líquidos antes de vender. Essa disposição responde a uma lacuna antiga na legislação de execução sul-coreana, onde credores em casos anteriores ficavam com tokens pouco negociados de valor incerto, sem um caminho legal claro para a liquidação.

16 milhões de sul-coreanos detentores de criptomoedas enfrentam nova exposição legal

O quadro aplica-se a um mercado onde mais de 16 milhões de pessoas, cerca de um terço da população sul-coreana, possuem contas de criptomoedas. A Suprema Corte descreveu os ativos virtuais como "propriedade intangível com valor económico" e citou o aumento do volume de casos de execução civil envolvendo criptomoedas como justificativa para padrões processuais detalhados.

A alteração também estende mecanismos de preservação, permitindo que credores solicitem ordens provisórias de congelamento e proibição de disposição antes do início de litígios.

Os tribunais sul-coreanos têm vindo a avançar para o reconhecimento formal das criptomoedas como propriedade apreensível há vários anos. Em dezembro de 2025, a Suprema Corte decidiu que 55,6 Bitcoin detidos numa conta de troca poderiam ser apreendidos num caso de branqueamento de capitais. O tribunal rejeitou a alegação de que o Bitcoin é apenas informação digital, concluindo que a criptomoeda detida por trocas possui valor económico independente e, por isso, qualifica-se como propriedade gerida eletronicamente ao abrigo do Código de Processo Penal.

Carteiras de autocustódia representam desafio à execução

As regras foram desenhadas principalmente para ativos detidos por trocas, onde os tribunais podem obrigar os custodiante a cumprir as ordens. As carteiras de autocustódia apresentam um desafio de execução mais complexo, pois nenhum intermediário controla as chaves privadas.

Devedores que transferirem ativos para carteiras pessoais antes de uma ordem judicial ainda podem escapar à execução, uma limitação que a atual alteração não resolve totalmente.

Se adotada na sua forma atual, a Coreia do Sul juntará a um pequeno grupo de grandes mercados de criptomoedas com procedimentos judiciais abrangentes que cobrem todas as fases de execução civil contra ativos digitais. A Lei de Proteção do Utilizador de Ativos Virtuais do país, aprovada em julho de 2024, já impunha requisitos mais rigorosos às trocas. Estas novas regras estendem essa abordagem regulatória do controlo das trocas para a execução judicial, fechando uma lacuna que há anos dificultava a recuperação de créditos pelos credores.

O período de comentários públicos termina a 11 de agosto.

Perguntas Frequentes

O que propôs a Suprema Corte da Coreia do Sul a 2 de julho?

A Suprema Corte publicou propostas de alterações às Regras de Execução Civil, criando um quadro padronizado para que os tribunais possam congelar, apreender e liquidar criptomoedas para satisfazer dívidas civis. A consulta pública decorre até 11 de agosto, com as regras previstas para entrarem em vigor a 1 de outubro.

Como poderiam os tribunais apreender criptomoedas segundo as regras propostas?

Uma ordem de apreensão emitida por um tribunal bloquearia imediatamente um devedor de transferir ativos digitais. As trocas que detenham a criptomoeda afetada seriam obrigadas a entregá-la a um agente de execução judicial. Os credores poderiam então receber a criptomoeda diretamente ou obter permissão do tribunal para liquidá-la através de um fornecedor registado de ativos virtuais.

Por que as carteiras de autocustódia continuam a representar um desafio à execução?

As regras foram desenhadas principalmente para ativos detidos por trocas, onde os tribunais podem obrigar os custodiante a cumprir as ordens. As carteiras de autocustódia apresentam um desafio mais complexo, pois nenhum intermediário controla as chaves privadas, e devedores que transferirem ativos para carteiras pessoais antes de uma ordem judicial podem ainda assim escapar à execução.

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