O Fundo Monetário Internacional (FMI) salientou que os fundos soberanos devem estabelecer quadros jurídicos claros que definam os seus objetivos e competências, à medida que a sua influência global se expande. A Conselheira Jurídica do FMI, Jan Liu, afirmou isso num recente post de blogue intitulado «Os Fundos Soberanos Precisam de Clareza Jurídica à Medida que a sua Escala e Mandatos se Expandem». A recomendação surge num contexto em que os ativos dos fundos soberanos sob gestão cresceram mais de cinco vezes, de 3 biliões de dólares em 2008 para mais de 16 biliões de dólares atualmente, reforçando significativamente a sua presença nos mercados financeiros.
FMI recomenda clareza jurídica para os mandatos dos fundos soberanos
O FMI identificou que, à medida que os fundos soberanos cresceram substancialmente, estabelecer quadros jurídicos claros para os seus mandatos — os objetivos, funções e competências dos fundos — se tornou crítico. Os objetivos dos fundos soberanos enquadram-se tipicamente em categorias que incluem a estabilização fiscal, o desenvolvimento económico, a poupança a Longo prazo, a gestão de reservas cambiais e as operações de fundos de pensões. O FMI explicou que definir claramente estes objetivos permite que as estratégias de investimento se alinhem com as prioridades nacionais.
Gráfico: Fundo Monetário Internacional (FMI)
FMI aconselha fundos separados para diferentes mandatos
O FMI afirmou que «perseguir vários mandatos em simultâneo pode envolver trocas complexas» e sublinhou que «os riscos podem aumentar quando um único fundo abrange múltiplas, por vezes conflitantes, metas». Como solução, o FMI recomendou criar fundos separados quando se prosseguem mandatos distintos, ou separá-los legalmente em sub-fundos claramente diferenciados.
O FMI citou a Nigeria Sovereign Investment Authority como exemplo representativo, em que o fundo de estabilização, o fundo das futuras gerações e o fundo de infraestruturas estão separados legalmente. O FMI afirmou que «os fundos de poupança que procuram investimentos relativamente mais arriscados e com menor liquidez necessitam de quadros jurídicos mais sofisticados, incluindo conselhos independentes com deveres fiduciários e controlos internos robustos», acrescentando que «alguns fundos assumem papéis estratégicos a nível doméstico, caso em que devem ter estruturas de governação de acordo com a legislação correspondente».
FMI apela a salvaguardas legais contra interferência política
O FMI afirmou que são necessárias estruturas legais para impedir que os fundos soberanos funcionem como um «tesouro paralelo» sob influência política. O FMI salientou que «para um fundo gozar de autonomia, essa autonomia deve ser definida de forma clara por lei», referindo a criação de regulamentos de contribuições e levantamentos e de disposições de supervisão por parte dos legisladores e da sociedade civil.
Implicações para a expansão estratégica de investimentos da Korea Investment Corporation
Analistas avaliam que estas recomendações se aplicam à Korea Investment Corporation (KIC), que procura, pela primeira vez em 21 anos desde a sua criação, investimentos domésticos e estratégicos. Embora o mandato atual da KIC se limitasse à gestão de reservas cambiais, o seu papel está previsto para se expandir e incluir investimento estratégico com fins de desenvolvimento económico. O governo anunciou planos para separar rigorosamente a conta de consignação de reservas cambiais da conta de investimento estratégico, o que aumenta a necessidade de estabelecer uma base legal que garanta a independência da gestão do fundo.
FAQ
O que recomendou o FMI para os fundos soberanos?
O FMI recomendou que os fundos soberanos estabeleçam quadros jurídicos claros que definam os seus objetivos e competências. A Conselheira Jurídica do FMI, Jan Liu, afirmou num recente post de blogue que, à medida que os ativos dos fundos soberanos cresceram de 3 biliões de dólares em 2008 para mais de 16 biliões de dólares atualmente, a clareza jurídica para os mandatos dos fundos se tornou crítica para alinhar as estratégias de investimento com as prioridades nacionais.
Porque é que o FMI aconselha separar diferentes mandatos dos fundos soberanos?
O FMI afirmou que prosseguir vários mandatos em simultâneo pode envolver trocas complexas e aumentar os riscos quando um único fundo abrange objetivos conflituosos. O FMI recomendou criar fundos separados ou sub-fundos separados legalmente para mandatos diferentes, citando a Nigeria Sovereign Investment Authority como exemplo, onde os fundos de estabilização, de futuras gerações e de infraestruturas estão separados legalmente.
Como é que as orientações do FMI se aplicam à Korea Investment Corporation?
Analistas avaliam que as recomendações do FMI se aplicam à Korea Investment Corporation (KIC), que está a expandir o seu papel após 21 anos para incluir investimento doméstico e estratégico além da gestão de reservas cambiais. O governo anunciou planos para separar rigorosamente a conta de consignação de reservas cambiais da conta de investimento estratégico e criar uma base legal que garanta a independência da gestão do fundo.