O Bank of America anunciou que, a partir de 5 de janeiro de 2026, os consultores de gestão de património do Merrill Lynch, do Bank of America Private Bank e da plataforma Merrill Edge passarão a recomendar proativamente a alocação de 1% a 4% das carteiras dos clientes a criptoativos. Esta decisão representa uma mudança face à abordagem anterior, mais passiva, de "discutir apenas mediante solicitação", passando para recomendações de alocação profissionais e orientadas pelos consultores. Mais de 15 000 consultores do banco irão seguir estas novas diretrizes.
Mudança de Política
A decisão do Bank of America não é um ato isolado dentro da instituição. A sua divisão de gestão de património assinala que a procura dos clientes por alocações em ativos digitais continua a crescer. Esta procura tem sido impulsionada por uma série de mudanças estruturais no ecossistema cripto desde a correção do mercado em 2022, que reduziram significativamente os riscos percebidos pelos investidores institucionais. Entre estas mudanças, destaca-se o lançamento de ETFs de Bitcoin e Ethereum à vista, que permitem aos investidores aceder facilmente a criptoativos através de contas de corretagem tradicionais e familiares.
Adicionalmente, a existência de enquadramentos regulatórios mais claros nos Estados Unidos e na Europa, bem como soluções de custódia aprimoradas por parte de instituições financeiras estabelecidas como a State Street, criaram um ambiente de investimento mais seguro e em conformidade.
Significado Mais Profundo
Esta iniciativa do Bank of America vai além da simples introdução de novos produtos. Representa um passo prático no reconhecimento formal, pelo sistema financeiro tradicional, dos criptoativos como uma classe de ativos legítima. A alocação recomendada de 1%-4% assenta no princípio da "moderação". Chris Hyzy, Chief Investment Officer do Bank of America Private Bank, refere que tais alocações são adequadas para investidores entusiastas da inovação temática e com tolerância à elevada volatilidade.
O intervalo sugerido visa potenciar a diversificação das carteiras e o crescimento a longo prazo, mantendo o risco sob controlo. Hyzy explica que o limite inferior de 1% é adequado para investidores conservadores, enquanto o limite superior de 4% se destina a perfis com maior tolerância ao risco.
Esta abordagem não implica que os clientes comprem e detenham diretamente criptomoedas. O banco prefere recomendar exposição através de produtos ETF de Bitcoin à vista, regulados. A partir de 5 de janeiro, o Chief Investment Office passará a cobrir oficialmente os seguintes ETFs:
- BlackRock iShares Bitcoin Trust (IBIT)
- Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC)
- Bitwise Bitcoin ETF (BITB)
- Grayscale Bitcoin Mini Trust (BTC)
Tendência do Setor
O Bank of America não é pioneiro neste segmento, mas sim acompanha uma tendência institucional clara. Anteriormente, o Global Investment Committee do Morgan Stanley recomendava aos investidores a alocação de 2%-4% a criptoativos. Já a BlackRock sugeriu uma alocação de 1%-2% no início de 2025, enquanto a Fidelity propôs um intervalo de 2%-5% em março de 2024 (com alocações para investidores com menos de 30 anos a poderem atingir 7,5%).
Grandes instituições financeiras como a Vanguard, Charles Schwab e JPMorgan também disponibilizaram o acesso a ETFs cripto aos seus clientes. Isto demonstra que a integração de criptoativos nos modelos de gestão de património se tornou um consenso entre as principais instituições financeiras norte-americanas.
Sinal de Ação
Para os investidores particulares, a alteração de política do Bank of America constitui um sinal de mercado relevante. Após mais de uma década de desenvolvimento, os criptoativos estão agora a chegar a uma base de investidores mais alargada através dos canais financeiros mais tradicionais e mainstream. Na prática, os bancos costumam refinar as suas recomendações em estratégias mais específicas. Para carteiras equilibradas, a sugestão central poderá passar por alocar 2%-3% a ETFs de Bitcoin, mais 1% a ETFs de Ethereum. Para clientes com perfil mais agressivo, mantendo o limite máximo global de alocação, as estratégias podem incluir exposição a rendimentos de staking de Ethereum ou abordagens baseadas em opções.
Independentemente da estratégia, os bancos enfatizam uma gestão de risco rigorosa, reequilibrando normalmente as carteiras em base trimestral e aplicando vendas disciplinadas quando a volatilidade ultrapassa limites pré-definidos.
Perspetiva de Mercado e Análise de Dados
A decisão do Bank of America surge num momento em que o mercado antecipa ativamente o cenário para as cripto em 2026. Diversas instituições acreditam que, apesar de o mercado poder entrar numa fase de consolidação, o processo estrutural de institucionalização é irreversível. A Galaxy Digital prevê que o Bitcoin possa atingir os 250 000 $ até ao final de 2027. A 21Shares estima que, até 2026, os ativos sob gestão em ETFs cripto poderão ultrapassar os 400 mil milhões $.
Com base em dados do mercado Gate, é possível observar dinâmicas de mercado antes e depois de grandes anúncios de política por parte de instituições financeiras tradicionais. Estas notícias costumam impulsionar a atenção e o sentimento de negociação no curto prazo, mas as tendências de preços a longo prazo continuam a ser determinadas por fatores macroeconómicos, desenvolvimentos regulatórios e adoção generalizada do mercado. Os investidores devem ter presente que os preços das criptomoedas são altamente voláteis. Mesmo com a aceleração da adoção institucional, oscilações bruscas de preços e a regulação desigual a nível global permanecem riscos relevantes.
A recomendação do Bank of America de alocação de 4% posiciona, na essência, os criptoativos como ativos "satélite" de elevada volatilidade, em vez de componentes centrais das carteiras. O seu valor reside no potencial de crescimento e nos benefícios de diversificação resultantes da baixa correlação com os ativos tradicionais.
As fronteiras entre o universo cripto e a finança tradicional estão a dissipar-se rapidamente. A Vanguard já permite determinados ETFs cripto na sua plataforma e o JPMorgan lançou ETFs ligados ao Bitcoin e notas estruturadas associadas ao ciclo de halving de quatro anos. O Citibank planeia oferecer serviços de custódia de criptoativos até 2026. Paralelamente, as stablecoins estão a ser encaradas por gigantes como a BlackRock e o JPMorgan como forças transformadoras para os pagamentos globais e a infraestrutura financeira. Olhando para o futuro, caso os ETFs à vista se expandam para além do Bitcoin e do Ethereum, incluindo outros ativos de referência como a Solana, os analistas antecipam que o intervalo padrão de alocação institucional possa subir dos atuais 1%-4% para valores entre 5%-7%.


