Acabei de saber que os BRICS já têm um protótipo funcional da sua moeda digital. Chama-se Unit e, honestamente, é um movimento bastante interessante no tabuleiro geopolítico.



O que me chama a atenção é a estrutura: 40% apoiado em ouro físico real, e os outros 60% distribuídos de forma equitativa entre as moedas dos BRICS. Estamos a falar do real brasileiro, yuan chinês, rúpia indiana, rublo russo e rand sul-africano, todos com peso igual. Ou seja, não é um projeto controlado por uma única potência, mas uma construção conjunta.

Pensem assim: durante décadas, o comércio internacional girou em torno do dólar. Agora, os BRICS estão a dizer "e se criássemos a nossa própria moeda dos BRICS para fazer transações entre nós sem intermediários?" O ouro como respaldo é a jogada clássica, dá credibilidade e estabilidade.

O que isto representa é um passo concreto em direção à desmonetização do dólar em transações regionais. Não é que vá colapsar o sistema atual amanhã, mas definitivamente estamos a ver como os blocos económicos emergentes estão a construir alternativas. Os BRICS há anos falam de independência financeira, e esta moeda digital é provavelmente a concretização mais concreta até agora.

A questão é quão rápido podem passar de protótipo a adoção real. Se conseguirem que funcione sem atritos, outros blocos regionais provavelmente quererão o seu também. Momento interessante para estar a observar como evolui a ordem financeira global.
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