Olhei os dados para a previsão do ouro em 2025 e não consigo acreditar o quão longe o ativo chegou. Começou o ano em 2.600 dólares e terminou perto de 4.400 — um aumento de 68% que foi o ano mais forte desde o final dos anos 1970. Não é por acaso. Algo estrutural está mudando no mercado.



Em outubro de 2025, o ouro quebrou os 4.000 dólares pela primeira vez na história. Na altura, todos diziam que ficaria ali. Errado. Três meses depois, em janeiro, disparou para 5.595 — uma nova máxima histórica que ninguém esperava. Agora, em abril, está consolidado em torno de 4.400-4.500, mas a pergunta que todos fazem não é se vai cair — é até onde vai chegar.

Os grandes bancos revisaram drasticamente suas previsões. O JPMorgan fala em 6.300 dólares até dezembro de 2026. A Wells Fargo entre 6.100-6.300. Até mesmo a Goldman Sachs, que é mais conservadora, vê entre 4.900-5.400. Isso não é uma coordenação aleatória — todos veem os mesmos fundamentos.

O que está impulsionando essa alta? Cinco fatores acontecem simultaneamente. Primeiro, os bancos centrais estão comprando ouro a taxas recorde — três anos consecutivos acima de 1.000 toneladas. O JPMorgan prevê que em 2026 veremos cerca de 755 toneladas. Quase 95% dos bancos centrais entrevistados planejam aumentar suas reservas. China, Polônia, Índia — todos fazem a mesma coisa: reduzem dólares e compram ouro.

Em segundo lugar, há uma tendência mais ampla de desdolarização que acelerou. Quando os EUA usaram sanções como arma em 2022, muitos países perceberam que os dólares não são seguros. Agora, consideram o ouro como o reserva final de valor. Isso não é boato — é uma mudança estrutural que durará décadas.

Em terceiro lugar, o Federal Reserve está se movendo para cortes de juros. Espera-se duas reduções em 2026. Quando as taxas caem, o custo de oportunidade de manter ouro diminui — especialmente quando os rendimentos reais se tornam negativos. Historicamente, isso é bullish para o ouro.

Em quarto lugar, a incerteza geopolítica permanece. Conflitos, tensões comerciais, insegurança — tudo isso mantém a demanda por refúgio seguro alta. O ouro tornou-se uma reserva semi-permanente de incerteza, não apenas um movimento temporário.

Em quinto lugar, a oferta de ouro aumenta apenas 1-2% ao ano. A demanda sobe, a oferta não consegue acompanhar o ritmo. Isso é um cenário clássico de déficit.

Para a previsão do ouro em 2026, o consenso é claro: o cenário base é de 4.900-5.400 dólares, com o cenário otimista chegando a 6.000-6.300. O cenário pessimista exige resolução rápida das tensões geopolíticas, um dólar fortalecido e um Fed hawkish — tudo junto. A maioria dos analistas considera isso improvável.

Os níveis técnicos que acompanho: suporte em 4.200, resistência em 5.000. Se romper os 5.000, o caminho para 5.500-6.000 se abre. A média móvel de 200 dias tende para cima — sinal positivo. O RSI está se consolidando na zona média após as condições de sobrecompra de janeiro.

Para 2027, as previsões variam de 5.150 a 8.000 dólares — a faixa é grande, mas a direção é clara. Para cima. E até 2030, algumas fontes veem números de dois dígitos. CoinCodex prevê entre 10.668-12.707. Claro, esses são cenários de longo prazo que dependem da continuidade da desdolarização.

Quais são os riscos que poderiam interromper essa alta? Se o dólar se fortalecer repentinamente, se a tendência geopolítica se resolver rapidamente, se os compradores de joias recuarem a preços elevados, se as saídas de ETFs retornarem ou se os bancos centrais desacelerarem as compras. Tudo isso é possível, mas exige múltiplos fatores negativos ao mesmo tempo.

A comparação entre ouro e Bitcoin é interessante. O ouro tem 5.000 anos de história, suporte institucional de bancos centrais e menor volatilidade. O Bitcoin tem limite de oferta fixo, maior potencial de retorno e adoção institucional crescente. Cada vez mais, investidores possuem ambos, ao invés de escolher. Produtos tokenizados de ouro e protocolos RWA competem pelo mesmo capital.

O limite inferior? A justificativa estrutural para o ouro é mais forte do que em qualquer ponto da era moderna. Três anos de compras de bancos centrais acima de 1 milhão de toneladas, desdolarização acelerada, cortes de juros e incerteza geopolítica criaram uma tempestade perfeita. Para a previsão do ouro em 2025 e 2026, a tendência está do seu lado. Quedas para 4.200-4.300 são oportunidades de compra, não sinais de que a luta acabou. O caminho de menor resistência permanece ascendente até os 5.000 e além.
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