# Uma História do Grupo Liangshan——


## Do Porão ao Tesouro de Centenas de Milhões
## A Poeira da Esfera das Moedas: Chen Mo

Meu nome é Chen Mo, e no inverno de 2020, aquele foi a noite mais escura da minha vida.

O apartamento alugado fica numa cave no bairro urbano degradado, sem luz solar o ano inteiro. As paredes úmidas descamavam em camadas, caixas de comida deixadas no canto da parede, o ar exalava mofo e óleo de macarrão instantâneo. Eu estava encolhido na cama de madeira que rangeria constantemente, olhando fixamente para os números vermelhos ardentes na tela do telemóvel, com os dedos gelados.

Dívida de duzentos e trinta mil yuans.

Cartões de crédito, empréstimos online, dinheiro emprestado de amigos — como redes impenetráveis, me prendiam firmemente. Telefonemas de cobranças tocavam do amanhecer ao anoitecer, eu não ousava atender, apenas colocava o telemóvel em silencioso, deixando a tela piscar no escuro, acendendo e apagando repetidamente. Dois anos após a formatura, passei de um jovem ambicioso do interior para um desabrigado que nem conseguia pagar o aluguel.

Aquele dia, o senhorio bateu na porta xingando, dizendo que se eu não pagasse o aluguel lançaria meus pertences para fora. Eu apertava nos bolsos os únicos setecentos e vinte yuans restantes, sem coragem sequer de abrir a boca. Depois que o senhorio saiu, enfiei a cabeça entre os joelhos, e pela primeira vez senti que, afinal, viver era tão difícil.

Não é que eu não tivesse me esforçado. Trabalhei em fábricas aparafusando, entreguei comida de bicicleta, dirigi Uber, dormindo apenas quatro ou cinco horas por dia, mas o dinheiro que ganhava nem conseguia cobrir os juros. Eu via pessoas à minha volta comprando carros e casas, enquanto eu hesitava meia hora só para comprar uma refeição rápida de dez yuans.

Na minha desespero, vi um vídeo sobre Bitcoin.

Na tela, havia alguém que com alguns milhares de yuans de capital inicial multiplicou-o dezenas de vezes num mercado em alta, realizando liberdade financeira. Naquele instante, como uma luz que rasgava a minha vida cinzenta. Eu sabia que era um jogo, era lamer sangue na ponta de uma faca, mas eu já não tinha volta. Estes setecentos e vinte yuans eram meu último trunfo, minha única tábua de salvação.

Mordi os dentes e depositei todo o dinheiro na exchange. Naquela altura, o Bitcoin ainda estava em oscilação num nível baixo. Eu não entendia de gráficos, não entendia médias móveis, não sabia o que eram níveis de suporte e resistência, apenas seguindo um desespero cego, coloquei tudo numa pequena moeda.

Primeiro dia: subiu cinco pontos, fiquei transbordando de alegria, achei que a virada estava nas mãos.

Segundo dia: caiu dez pontos, minhas mãos suavizaram em suor, insónia a noite toda.

Terceiro dia: desabamento direto de trinta pontos, a conta praticamente zerou.

Desabei no chão, olhando para a interface de perdas verde que cobria tudo, as lágrimas finalmente não conseguiram mais ser contidas. Até à última esperança, o mercado a esmagou em pó. Pensei em desistir, pensei em acabar com tudo, mas lembrando-me dos meus pais no interior voltados para a terra, não consegui ser tão cruel.

Não podia perder.

A partir daquele dia, trancava-me na cave, abandonei toda a diversão, dormindo apenas três horas por dia. Com fome comia macarrão instantâneo, com sede bebia água da torneira, estudei desesperadamente conhecimentos da esfera das moedas. Gráficos K, white papers, regras de exchanges, manipulação de operadores... Anotava tudo em papéis velhos, colava pelas paredes, densamente, como uma batalha silenciosa.

Apaguei todos os jogos, recusei todas as socializações inúteis, nos meus olhos apenas vermelho e verde entrecruzados em gráficos. O que os outros viam como um louco, era a minha luta no desespero.

Três meses depois, finalmente compreendi um padrão do mercado. Parei de fazer apostas cegas, aprendi a explorar com posições pequenas, aprendi a aceitar perdas e a lucrar, aprendi a suprimir o pânico quando despencava, mantendo a frieza nas explosões de alta. Com dois mil yuans que economizei comendo pouco e poupando, reensei no mercado.

Desta vez, acertei na tendência.

O mercado em alta de 2021 surgiu, Bitcoin disparou continuamente, moedas alternativas explodiram por turnos. Com dois mil yuans na mão, capturei precisamente várias ondas de tendências, os fundos da conta cresceram como uma bola de neve. Dois mil viraram vinte mil, vinte mil viraram duzentos mil, duzentos mil viraram dois milhões...

Em cada lucro, nunca deixei a cabeça ser desviada. Lembrava-me do desespero quando explodi a conta, lembrava-me do frio da cave, lembrava-me do som estridente dos telefonemas de cobrança. Mantive rigidamente minha disciplina de negociação, não toquei em alavancagem alta, não persegui moedas de ar, aceitei ganhos quando chegavam, bolso seguro.

Quando os dígitos da conta ultrapassaram dez milhões, saí da cave.

A luz do sol era ofuscante, pisquei os olhos, observando o mundo de trânsito fora, como se estivesse num mundo diferente. De imediato, liquidei todas as dívidas, transferi dinheiro para os meus pais, pedindo que não se cansassem mais. Ao telefone, minha mãe chorou engasgada, dizendo que havia crescido, eu sufoquei as lágrimas e disse "Mãe, tudo bem comigo agora".

Depois, comprei uma casa no centro da cidade, troquei de carro, nunca mais me preocupei com dinheiro. De pé em frente à grande janela, observando as luzes brilhantes da cidade sob os meus pés, ainda me sentia arrepiado lembrando daquele eu comendo macarrão instantâneo na cave.

Há quem diga que tive sorte, que apanhei um mercado em alta. Mas só eu sei que aqueles dias e noites estudando, aquele sofrimento enfrentando altas e baixas, aquela persistência ousada de tudo em risco, nunca foi sorte.

A esfera das moedas é um campo de carnificina, é também uma fábrica de sonhos. Há quem enriqueça da noite para o dia aqui, há quem perca tudo. Vi demasiadas pessoas devoradas pela ganância, aumentando alavancagem, perseguindo altas e vendendo em quedas, perdendo tudo no fim.

E eu, sempre me lembrei do meu ponto de partida.

Hoje ainda cultivo profundamente na esfera das moedas, mas há muito perdi o radicalismo de outrora. Faço investimento em valor, faço alocação a longo prazo, coloco controlo de risco em primeiro lugar. Sei que o mercado nunca carece de oportunidades, o que carece é paciência em guardar lucros, e ter amor e respeito pelo mercado.

De dívida de duzentos mil para fortuna de centenas de milhões, levei um ano.

Este ano, percorri o inferno, e também vi o céu.

A esfera das moedas nunca carece de lendas, carece é de pessoas que guardam o seu coração. E eu, nada mais fiz que agarrar um raio de luz nos dias mais escuros, depois, com toda a força, viver como o meu próprio sol.
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