A Financial Action Task Force publicou um relatório solicitando uma partilha de informações mais alargada entre governos, bancos, provedores de serviços de ativos virtuais e empresas do setor privado, afirmando que os sistemas tradicionais de combate ao branqueamento de capitais enfrentam dificuldades com crimes financeiros transfronteiriços sofisticados. O relatório, intitulado 'Partilha de Informação para Combater Finanças Ilícitas: Visão Global de Parcerias Público-Privadas e Acordos de Proteção de Dados', identifica pelo menos 84 parcerias público-privadas ativas em 51 jurisdições. A recomendação reflete uma mudança de uma abordagem de bancos como entidades de reporte para uma de instituições financeiras ativas parceiras de inteligência, partilhando indicadores de risco e inteligência operacional com as autoridades.
Segundo a FATF, a velocidade da finança digital mudou fundamentalmente a forma como o dinheiro ilícito atravessa fronteiras. Pagamentos instantâneos, ativos virtuais, fraudes online e redes criminosas sofisticadas permitem que fundos ilícitos se movimentem por múltiplas jurisdições antes que as autoridades possam reagir. Os sistemas tradicionais de combate ao branqueamento de capitais, baseados em relatórios retrospectivos e investigações individuais, muitas vezes não conseguem identificar redes criminosas mais amplas a tempo. O relatório defende que as parcerias público-privadas permitem às autoridades e instituições financeiras passar de um modelo reativo de conformidade para um modelo colaborativo de inteligência, partilhando informações sobre ameaças emergentes, comportamentos suspeitos e tendências operacionais antes que a atividade criminosa se expanda. Ao contrário dos quadros de reporte convencionais, muitas parcerias operam através de plataformas seguras encriptadas que permitem às unidades de inteligência financeira, agências de aplicação da lei e empresas reguladas trocar informações em tempo quase real.
A FATF identificou pelo menos 84 parcerias público-privadas atualmente em funcionamento mundialmente. Entre 58 jurisdições analisadas, 52 reportaram operar pelo menos uma parceria doméstica, enquanto 18 indicaram ter estabelecido múltiplas iniciativas. O relatório constatou que aproximadamente 58% dessas parcerias funcionam sob estruturas de governação formais apoiadas por legislação, memorandos de entendimento ou plataformas de comunicação seguras. Os restantes 42% dependem de arranjos mais flexíveis, incluindo colaboração entre analistas, canais de mensagens seguras, grupos de trabalho e mesas-redondas do setor. A maioria das parcerias é liderada por unidades de inteligência financeira, que representam cerca de 63% das iniciativas, enquanto outras são coordenadas por grupos de trabalho multi-agências ou autoridades policiais. Mais de três quartos das jurisdições que reportam partilham principalmente inteligência estratégica, incluindo tipologias de fraude, sinais de alerta e padrões de risco emergentes. Entre 55% e 66% também trocam inteligência operacional, como indicadores de transações suspeitas, informações de diligência devida ao cliente e dados de investigações específicas.
A FATF argumenta que as instituições financeiras já não podem combater eficazmente a fraude isoladamente, pois organizações criminosas operam cada vez mais através de múltiplos bancos, provedores de pagamento, plataformas de criptomoedas, empresas de telecomunicações e mercados digitais. Para responder, o relatório recomenda expandir a partilha de informações para além das instituições financeiras tradicionais, incluindo provedores de serviços de ativos virtuais, operadores de telecomunicações, plataformas online e outros participantes não tradicionais que observam diferentes partes do ecossistema criminoso. Giles Thomson, presidente da FATF, afirmou: "As parcerias público-privadas estão a ajudar a alcançar resultados que de outra forma não seriam possíveis com informações fragmentadas sobre crimes financeiros nos setores público e privado. Incentivo os países a utilizarem estas parcerias para construir confiança, colaboração e canais de alta velocidade para a partilha de informações, essenciais para combater métodos criminosos cada vez mais sofisticados. Isto é fundamental para desmantelar e prevenir eficazmente as finanças ilícitas, especialmente a ameaça crescente de fraudes."
O relatório inclui vários exemplos onde a partilha estruturada de informações resultou em resultados concretos de aplicação da lei. O Projeto FRONTIER+ de Singapura, uma iniciativa multinacional anti-golpes envolvendo 13 jurisdições, resultou em mais de 2.100 detenções, o congelamento de mais de 36.000 contas bancárias e o sequestro de aproximadamente S$28,2 milhões. Na África do Sul, a cooperação entre bancos e autoridades ajudou a desmantelar um esquema piramidal após as instituições participantes analisarem atividades suspeitas de clientes, levando ao congelamento de 60 contas bancárias com mais de US$450 mil. Outros estudos de caso descrevem partilha de inteligência entre bancos no Reino Unido que revelou uma rede bancária clandestina a movimentar mais de £10 milhões, bem como investigações coordenadas envolvendo tráfico humano na Letónia e deteção de financiamento de terrorismo na Indonésia.
Apesar de defender uma partilha de informações mais ampla, a FATF reforça que uma cooperação mais forte não deve comprometer a privacidade ou direitos fundamentais. O relatório sublinha que as parcerias público-privadas devem operar dentro de quadros legais claros que regulem a necessidade, proporcionalidade, transparência, limitação de finalidades, retenção de dados e controles de acesso. Recomenda também uma cooperação mais estreita entre as autoridades de AML e os reguladores nacionais de proteção de dados, para garantir que os acordos de partilha de informações estejam em conformidade com as leis de privacidade internas, mantendo a operacionalidade. Segundo a FATF, parcerias bem-sucedidas beneficiam cada vez mais de um envolvimento proativo com as autoridades de privacidade, ao invés de considerarem a proteção de dados como um obstáculo às investigações de crimes financeiros.
Para bancos, corretores, provedores de pagamento e provedores de serviços de ativos virtuais, o relatório indica que os reguladores esperam cada vez mais que as instituições contribuam com inteligência, em vez de apenas satisfazer obrigações de reporte. À medida que o crime financeiro se torna mais organizado e tecnologicamente sofisticado, a capacidade de identificar comportamentos suspeitos dependerá cada vez mais de conectar informações detidas por múltiplas instituições, em vez de analisar transações isoladamente. Para as empresas de criptomoedas, o relatório reforça a posição da FATF de que os provedores de serviços de ativos virtuais devem tornar-se totalmente integrados nos quadros globais de partilha de informações contra o branqueamento de capitais, à medida que os ativos digitais se tornam cada vez mais integrados no sistema financeiro mais amplo. Em vez de ver as parcerias público-privadas como melhorias opcionais, a FATF apresenta-as agora como um componente crítico na prevenção moderna de crimes financeiros, defendendo que acompanhar redes criminosas cada vez mais sofisticadas exigirá que governos e setor privado troquem inteligência na mesma velocidade com que fundos ilícitos se movimentam pelo sistema financeiro global.
O que recomendou o relatório da FATF para combater o crime financeiro?
A FATF publicou um relatório a solicitar uma partilha de informações mais alargada entre governos, bancos, provedores de serviços de ativos virtuais e empresas do setor privado. O relatório, intitulado 'Partilha de Informação para Combater Finanças Ilícitas: Visão Global de Parcerias Público-Privadas e Acordos de Proteção de Dados', identifica pelo menos 84 parcerias público-privadas ativas em 51 jurisdições e recomenda que os países expandam iniciativas semelhantes, dado que os criminosos exploram pagamentos digitais e redes financeiras internacionais complexas.
Que resultados obteve o Projeto FRONTIER+ de Singapura?
Segundo o relatório da FATF, o Projeto FRONTIER+ de Singapura, uma iniciativa multinacional anti-golpes envolvendo 13 jurisdições, resultou em mais de 2.100 detenções, o congelamento de mais de 36.000 contas bancárias e o sequestro de aproximadamente S$28,2 milhões.
Quantas parcerias público-privadas identificou a FATF?
A FATF identificou pelo menos 84 parcerias público-privadas atualmente em funcionamento em 51 jurisdições. Entre 58 jurisdições analisadas, 52 reportaram operar pelo menos uma parceria doméstica, enquanto 18 indicaram ter estabelecido múltiplas iniciativas. Aproximadamente 58% dessas parcerias funcionam sob estruturas de governação formais apoiadas por legislação.
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