De acordo com o Banco Central de El Salvador, a quota das remessas ligadas a cripto enviadas para El Salvador subiu quase 50% no 1.º trimestre de 2026 face ao mesmo período de 2025. Ainda assim, as remessas em cripto não chegaram sequer a 1% do total de remessas do país.
Principais destaques:
El Salvador, o dito país do bitcoin da América Latina, registou um avanço na utilização de activos digitais para remessas.
De acordo com dados oficiais publicados pelo Banco Central de El Salvador, o volume de remessas em criptomoedas subiu para 17,38 milhões de dólares no 1.º trimestre, acima dos 5,77 milhões de dólares face ao total registado no 1.º trimestre de 2025.

A subida surge numa altura em que os volumes de remessas familiares atingiram 910,81 milhões de dólares em março, com os volumes totais do 1.º trimestre a situarem-se em 2,43 mil milhões de dólares, crescendo 7,3% em termos homólogos, mesmo com o mundo a enfrentar desafios geopolíticos. Os EUA são a principal fonte destes fundos, respondendo por mais de 90% do total recebido pelos salvadorenhos.
Ainda assim, apesar deste aumento, as remessas em criptomoeda atingem apenas 0,71% do total, sublinhando a baixa penetração de activos digitais num sector dominado por actores tradicionais que continuam a cobrar taxas significativas pelos seus serviços.
O desempenho morno do sector cripto na indústria de remessas pode ter sido influenciado pelo abandono do bitcoin pelo sector público, depois de a actual administração ter assinado, em 2025, um acordo de crédito com o Fundo Monetário Internacional.
Como resultado, o governo também concordou em descontinuar a carteira Chivo, uma carteira nacional de criptomoedas que tinha sido promovida como a escolha preferida para remessas e poupanças.
O Presidente Nayib Bukele impulsionou as remessas como um dos principais casos de uso para a adopção do bitcoin em 2021, mas os salvadorenhos têm sido lentos na sua adopção. Nessa altura, Bukele afirmou que gigantes da indústria como Western Union e Moneygram poderiam perder até 400 milhões de dólares em comissões anuais se os salvadorenhos adoptassem o bitcoin para remessas em grande escala.
As remessas para El Salvador são a principal fonte de rendimento externo do país, atingindo quase 25% do seu Produto Interno Bruto (PIB), ultrapassando o turismo e o investimento estrangeiro.