A CVM do Brasil cria um grupo de trabalho para estruturar títulos tokenizados

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O regulador de valores mobiliários do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criou um grupo de trabalho para elaborar uma estrutura experimental para valores mobiliários tokenizados. A estrutura abrangerá o registo, a custódia, a negociação e a liquidação de valores mobiliários com recurso a tecnologia de registo distribuído. O regulador criou o grupo para dar resposta a preocupações práticas sobre como é que as regras existentes de proteção do investidor, de registo e da infraestrutura de mercado devem ser aplicadas quando os valores mobiliários passam a ser transacionados em registos distribuídos. A revisão surge numa altura em que o mercado brasileiro de ativos tokenizados atingiu 12 mil milhões de reais, o que equivale aproximadamente a 2,34 mil milhões de dólares, com debêntures e notas comerciais a representarem cerca de 1,3 mil milhões de dólares desse total. O Brasil já aplica a legislação de valores mobiliários com base nas características económicas de um token, segundo a orientação de 2022 da CVM, que clarificou que o uso de blockchain não altera a questão de saber se um ativo qualifica como valor mobiliário.

CVM define prazo de 60 dias para proposta inicial da estrutura

O grupo de trabalho tem de enviar a sua primeira proposta ao conselho da CVM no prazo de 60 dias após a sua instalação formal. Uma revisão mais abrangente decorrerá durante 120 dias, com uma possível extensão de 30 dias. O calendário dá ao regulador uma via definida para passar da análise interna para uma eventual estrutura experimental.

O grupo inclui 14 departamentos da CVM e pode consultar agências governamentais, associações do mercado, entidades de autorregulação e especialistas externos. Irá igualmente analisar os riscos de cibersegurança, modelos regulatórios internacionais e lições de programas anteriores de sandbox.

Estrutura aborda desafios de custódia e infraestrutura de liquidação

A revisão da CVM está focada na infraestrutura em torno de valores mobiliários tokenizados, e não nos próprios ativos. A estrutura irá abordar como é registada a propriedade, como são liquidadas as transações, como é feita a custódia e como é repartida a responsabilidade entre participantes do mercado quando uma transação falha.

Os mercados tradicionais de valores mobiliários separam funções-chave entre bolsas, custodiantes, conservadores do registo, depositários e sistemas de liquidação. As blockchains podem combinar várias dessas funções num único ambiente técnico. Isto levanta questões sobre quem controla o registo oficial da propriedade, como são guardadas as chaves privadas, quando as transações podem ser revertidas e quem é responsável caso um sistema falhe.

A CVM afirmou que estes detalhes são importantes porque definem como é que os direitos dos investidores são protegidos após a emissão. Um valor mobiliário tokenizado pode parecer familiar do ponto de vista económico, mas os seus riscos de custódia, liquidação e operacionais podem diferir dos verificados na infraestrutura tradicional do mercado.

Mercado brasileiro de ativos tokenizados atinge 2,34 mil milhões de dólares

Dados da plataforma brasileira de acompanhamento RWA Monitor mostram que o mercado de ativos do mundo real do país está agora em torno de 12 mil milhões de reais, o que equivale aproximadamente a 2,34 mil milhões de dólares. Debêntures e notas comerciais representam cerca de 1,3 mil milhões de dólares desse total.

O tamanho do mercado dá à CVM uma razão para avançar antes de os valores mobiliários tokenizados se tornarem demasiado grandes para supervisão caso a caso. Os instrumentos de dívida já são uma parte importante da atividade de ativos tokenizados do Brasil e estão muito próximos do núcleo da regulação de valores mobiliários por envolverem reivindicações dos investidores, obrigações dos emitentes e liquidez no mercado secundário.

CVM planeia consulta com agências governamentais e participantes do mercado

A CVM já testou emissão e negociação secundária baseadas em blockchain através da sua sandbox regulatória. O novo grupo de trabalho vai analisar esses ensaios à medida que considera uma estrutura mais abrangente para valores mobiliários emitidos, detidos e negociados em registos distribuídos.

Para bolsas, corretores, custodiantes e plataformas de tokenização, o grupo de trabalho pode ajudar a reduzir a incerteza sobre quais licenças, controlos e deveres de reporte se aplicam. As empresas que constroem produtos de valores mobiliários tokenizados no Brasil terão de demonstrar não apenas que o ativo subjacente é juridicamente sólido, mas também que a infraestrutura que o suporta consegue proteger os registos de propriedade, os processos de liquidação e as reivindicações dos investidores.

FAQ

Qual é o calendário da CVM para a estrutura de valores mobiliários tokenizados?

O grupo de trabalho tem de enviar a sua primeira proposta ao conselho da CVM no prazo de 60 dias após a sua instalação formal. Uma revisão mais abrangente decorrerá durante 120 dias, com uma possível extensão de 30 dias.

Qual é a dimensão do mercado brasileiro de ativos tokenizados?

Dados da plataforma brasileira de acompanhamento RWA Monitor mostram que o mercado de ativos do mundo real do Brasil está agora em torno de 12 mil milhões de reais, o que equivale aproximadamente a 2,34 mil milhões de dólares. Debêntures e notas comerciais representam cerca de 1,3 mil milhões de dólares desse total.

O que abrange a estrutura da CVM?

A estrutura abrangerá o registo, a custódia, a negociação e a liquidação de valores mobiliários com recurso a tecnologia de registo distribuído. O regulador vai abordar como é que as regras existentes de proteção do investidor, de registo e da infraestrutura do mercado devem aplicar-se quando os valores mobiliários passam a operar em registos distribuídos.

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