A Koesterich, da BlackRock, recomenda manter participações modestas em ouro, apesar da queda de 25%

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Key Takeaways
  • Russ Koesterich recomenda manter uma exposição moderada ao ouro, apesar de uma queda de 25% face aos máximos de janeiro.
  • O ouro caiu 7% no acumulado do ano para 4.074,70 dólares por onça, devido à força de 6% no Índice do Dólar e ao aumento dos rendimentos reais.
  • Koesterich afirmou que as razões estruturais para manter participações modestas em ouro continuam intactas, apesar dos ventos contrários atuais.

Russ Koesterich, gestor de carteira da estratégia Global Allocation Strategy da BlackRock, recomenda que os investidores mantenham uma exposição moderada ao ouro, apesar de o metal precioso ter caído 25% face ao seu máximo histórico em janeiro e estar a negociar 7% abaixo, no acumulado do ano, a 4.074,70 dólares por onça. A queda resulta de uma retoma da força do dólar norte-americano, com o Dollar Index a subir mais de 6% desde as mínimas de janeiro, e de juros reais em alta, que passaram de cerca de 1,65% no início de março para 2,20% atualmente. O rally histórico do ouro no início do ano alterou o seu papel, passando de ativo de refúgio para uma adição de risco impulsionada pelo momentum nas carteiras, enquanto o foco dos investidores se deslocou para as ações de IA, com um crescimento de lucros desproporcionado, segundo a nota mais recente de Koesterich divulgada pela Kitco News.

Queda de 25% do ouro impulsionada pela força do dólar e pela subida dos juros reais

Os preços do ouro caíram aproximadamente 25% face ao seu máximo histórico em janeiro e estão em baixa cerca de 7% no ano, com o metal precioso a ser negociado pela última vez a 4.074,70 dólares por onça, acima de 1,45% face ao fecho de sexta-feira passada. Koesterich identificou como principal motor da queda do ouro a renovada força do dólar norte-americano. O Dollar Index valorizou-se acentuadamente desde as mínimas de janeiro, subindo mais de 6%. Preocupações com um choque energético global, um mercado acionista norte-americano resiliente e uma inversão dramática na política esperada da Reserva Federal contribuíram, na ótica de Koesterich, para a força do dólar.

À medida que o dólar subiu, as taxas de juro de longo prazo também aumentaram, sobretudo as taxas reais, ou seja, ajustadas pela inflação. As yields reais a 10 anos, derivadas do mercado de TIPS, passaram de cerca de 1,65% no início de março para 2,20% atualmente. Koesterich assinalou que essa mudança no regime das taxas foi outro obstáculo para o ouro. Explicou que a incapacidade do ouro em sustentar ganhos acima de 4.100 dólares por onça continua a evidenciar riscos negativos no curto prazo.

Preferência por ações de IA desvia a atenção dos investidores do ouro

Koesterich sublinhou que o ouro perdeu preferência junto dos investidores, que agora estão mais focados em fortes lucros e fluxos de caixa. Disse que o ouro «não é uma ação de IA», apontando outro vento contra importante para o metal precioso. Dentro do mercado acionista, o desempenho tem sido cada vez mais impulsionado por um pequeno conjunto de empresas de IA com crescimento de lucros acima do esperado.

«Como um ativo sem lucros, os investidores estão a tratar o ouro da mesma forma que estão a tratar empresas estáveis de crescimento lento, basicamente ignorando-o», afirmou Koesterich. Referiu que a eventual mudança de momentum explica apenas em parte a correção acentuada, que durou meses, nos preços do ouro.

Enquadramento estrutural para manter participações moderadas em ouro mantém-se sólido

Apesar desses ventos contrários, Koesterich afirmou que o metal precioso continua a desempenhar um papel importante em carteiras diversificadas. Disse que as razões estruturais para manter ouro continuam intactas. A dívida e os défices permanecem em níveis históricos, a desvalorização/debasement do valor continua a ser um risco de longo prazo e, embora o ouro não tenha funcionado em março, a geopolítica não se tornou mais estável.

«Tudo isto ainda aponta para a manutenção de uma posição moderada de ouro nas carteiras», disse Koesterich. Acrescentou que o rally histórico do ouro no início do ano remodelou o seu papel nas carteiras dos investidores, tornando-se menos um ativo de refúgio devido ao seu forte momentum. «Em vez de proporcionar proteção contra quedas, o ouro acrescentou risco a uma carteira», disse.

O ouro procura terminar a semana com ganhos moderados, à medida que continua a consolidar perto de níveis de suporte críticos.

FAQ

Porque é que os preços do ouro caíram 25% face aos máximos de janeiro, segundo Koesterich da BlackRock?

Koesterich identificou a renovada força do dólar norte-americano como o principal motor, com o Dollar Index a subir mais de 6% desde as mínimas de janeiro. A subida dos juros reais, que passaram de cerca de 1,65% no início de março para 2,20% atualmente, também contribuiu para a queda do ouro. Além disso, o foco dos investidores deslocou-se para ações de IA que apresentam crescimento de lucros desproporcionado, levando-os a ignorar o ouro como um ativo sem lucros.

Qual é a recomendação atual da BlackRock sobre investimento em ouro?

Russ Koesterich, gestor de carteira da estratégia Global Allocation Strategy da BlackRock, recomenda que os investidores mantenham uma posição moderada de ouro nas carteiras. Afirmou que as razões estruturais para manter ouro continuam intactas, incluindo níveis históricos de dívida e défice, o risco de desvalorização a longo prazo e a instabilidade geopolítica contínua, apesar de o ouro ter caído 25% face aos máximos de janeiro e estar a registar uma perda de 7% no acumulado do ano.

Como é que o papel do ouro nas carteiras dos investidores mudou desde janeiro?

O rally histórico do ouro no início do ano remodelou o seu papel, passando de ativo de refúgio para uma adição de risco orientada pelo momentum nas carteiras. Koesterich explicou que, devido ao forte momentum do ouro durante o rally de janeiro, em vez de fornecer proteção contra quedas, o ouro acrescentou risco a uma carteira. O metal precioso caiu desde então 25% face aos máximos históricos de janeiro.

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