O posicionamento do governo dos EUA sobre o Estreito de Hormuz está cada vez mais confuso — o Secretário de Energia afirmou que a Marinha protegeu com sucesso um navio-tanque, depois apagou a publicação, e a Casa Branca rapidamente esclareceu que “a Marinha não se moveu de fato”. O próprio Trump também apagou e republicou a mensagem. Pesquisas mostram que apenas 33% da população acredita que ele explicou claramente os objetivos das ações contra o Irã.
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O presidente dos EUA, Trump, deletou no dia 10 uma publicação anterior sobre “minas navais iranianas” no Truth Social, e depois republicou uma versão modificada. Na nova postagem, Trump afirmou que os EUA estão usando as mesmas tecnologias e capacidades de mísseis para “eliminar permanentemente” qualquer navio que tente colocar minas no Estreito de Hormuz, e alertou que “esses alvos serão rapidamente e severamente atacados”.
Na versão original, que foi deletada, Trump dizia que, se o Irã colocasse minas no Estreito — mesmo sem relatos atuais — deveria removê-las imediatamente, sob pena de “consequências militares sem precedentes”. Mas também manifestou boa vontade, dizendo que, se o Irã remover as minas, “isso será um grande passo na direção certa”.
No mesmo dia em que Trump revisou suas palavras, o Secretário de Energia, Chris Wright, cometeu um equívoco. Ele publicou nas redes sociais que “a Marinha dos EUA conseguiu proteger um petroleiro passando pelo Estreito de Hormuz, garantindo o fluxo de petróleo para o mercado global”, mas a postagem foi apagada logo depois.
Fontes confirmaram à mídia que, na realidade, a Marinha dos EUA ainda não ofereceu proteção a qualquer petroleiro no Estreito de Hormuz. Sabe-se que, na última semana, o governo discutiu internamente o momento e as condições para iniciar ações de proteção naval, mas nenhuma medida foi tomada ainda.
A porta-voz da Casa Branca, Karine Leavitt, esclareceu oficialmente na coletiva de imprensa que “atualmente, os EUA não estão protegendo nenhum petroleiro ou outra embarcação passando pelo Estreito de Hormuz”, mas acrescentou que essa “é, claro, uma opção” que Trump “definitivamente usará no momento adequado”. Leavitt também afirmou que Trump “não descarta” usar qualquer opção militar contra o Irã, incluindo o envio de tropas terrestres.
O Irã respondeu rapidamente. O comandante da Marinha da Revolução Islâmica do Irã afirmou que a alegação de que os EUA estão protegendo petroleiros no Estreito de Hormuz “é pura mentira”, e advertiu que “qualquer ação dos EUA e seus aliados será impedida dentro do alcance de mísseis e drones iranianos”.
Na análise publicada em 10 pelo site de notícias americano AXIOS, foi destacado que as declarações de Trump sobre o Irã, feitas em entrevistas, coletivas e redes sociais, são contraditórias e sem consistência — às vezes estabelecendo prazos para conflito, outras vezes revertendo, prevendo o fim da guerra ou prometendo intensificar ações, até mesmo afirmando que cabe a ele escolher o novo líder do Irã, embora o governo dos EUA negue que seu objetivo seja mudança de regime.
A posição oficial do governo americano é clara: seus três principais objetivos são destruir a capacidade nuclear do Irã, acabar com seu apoio ao terrorismo e derrotar sua marinha. Mas as declarações de Trump parecem mais ambíguas.
A última pesquisa do Reuters/Ipsos revela a confusão do público: entre 1.021 entrevistados, apenas 33% acreditam que Trump explicou claramente os objetivos das ações militares contra o Irã, evidenciando uma grande divisão na comunicação da Casa Branca.