Os mercados de ações estão em alta apesar das incertezas globais, impulsionados por rotações relevantes entre setores e por mudanças fundamentais no cenário econômico. Neste ano, ações de software, automóveis, bens de consumo e vestuário recuaram, enquanto os setores de energia e de hardware ganharam espaço à medida que os investidores se adaptam a novas dinâmicas do mercado. A mudança reflete uma transformação mais ampla do regime econômico desde a pandemia, marcada por inflação mais alta, custos de empréstimos elevados e tensões geopolíticas. Segundo Atsi Sheth, diretor de crédito da Moody's Ratings, os mercados passaram para uma era diferente, moldada por preocupações com segurança econômica e mudanças demográficas. Essa transformação marca o fim do período pós-crise financeira de 2008, quando juros baixos e empréstimos públicos baratos impulsionaram o crescimento.
Mercados de títulos mostram alta nas taxas do governo e maior aversão ao risco
As taxas dos títulos do governo subiram na maior parte das economias avançadas. Em títulos corporativos, os investidores se afastaram de dívidas mais arriscadas. A taxa do Treasury americano de 30 anos ficou acima de 5% pelo período mais longo desde o início da crise financeira, segundo dados da Bloomberg.
Setores de ações têm desempenho divergente neste ano
Ações de software caíram neste ano por causa dos avanços em IA. Ações de automóveis, bens de consumo e vestuário também recuaram à medida que os consumidores enfrentam preços mais altos. As ações de energia viraram um setor em destaque por causa da guerra no Irã e de outros conflitos. Ações de hardware e semicondutores estão atraindo investidores porque representam a infraestrutura da alta de IA.
Mudanças no regime econômico a partir da era da crise pós-2008
Até a pandemia, os mercados operavam sob um regime pós-crise financeira de 2008 em que a inflação ficou abaixo das metas dos bancos centrais e os governos tomavam dinheiro emprestado a baixo custo. Juros baixos ajudaram a impulsionar o crescimento das empresas. Com as taxas perto de zero, investidores migraram para tecnologia de alto crescimento, títulos públicos de longo prazo e empréstimos a negócios mais arriscados. Atsi Sheth afirma que, nos últimos anos, os mercados passaram para uma era diferente, caracterizada por incerteza geopolítica, déficits governamentais mais altos, mudanças demográficas e políticas moldadas por preocupações com segurança econômica.
Fatores geopolíticos impulsionam inflação mais alta e custos de empréstimos
A alta de preços foi inicialmente impulsionada por interrupções na cadeia de suprimentos durante a pandemia e por desequilíbrios na demanda. Atualmente, guerras e outras tensões contribuem para custos mais elevados. As hyperscalers agora exigem enormes volumes de investimento de capital em IA, em contraste com empresas de software que antes conseguiam crescer com relativamente pouco capital. Os governos estão tomando mais dinheiro emprestado, em parte para lidar com as tensões geopolíticas crescentes, o que está elevando os custos de empréstimos para países e consumidores. Sheth observa que o mercado parece calmo na superfície, mas uma análise mais profunda revela mudanças subjacentes. Alguns investidores apostam que os governos vão intervir se a turbulência do mercado aumentar, embora não exista garantia de tal intervenção.
Perguntas Frequentes
Quais setores estão indo bem em ações neste ano?
Ações de energia estão indo bem por causa da guerra no Irã e de outros conflitos. Ações de hardware e semicondutores também estão atraindo investidores porque representam as ferramentas e equipamentos do boom de IA.
Por que ações de software caíram neste ano?
Ações de software caíram neste ano por causa dos avanços em IA. Além disso, ações de automóveis, bens de consumo e vestuário recuaram à medida que os consumidores enfrentam preços mais altos.
Como os mercados de títulos mudaram recentemente?
As taxas dos títulos do governo subiram na maior parte das economias avançadas. Em títulos corporativos, os investidores se afastaram de dívidas mais arriscadas. A taxa do Treasury americano de 30 anos ficou acima de 5% pelo período mais longo desde o início da crise financeira.