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O que é Wabi-Sabi? Esta filosofia japonesa vai fazer-me feliz?
(MENAFN- The Conversation) A tigela de cerâmica com um esmalte irregular. A chávena reparada com laca de ouro.
As imagens são calmantes e atraentes.
Dizem que refletem o wabi-sabi – uma estética japonesa frequentemente resumida no Ocidente como valorização da imperfeição, impermanência e incompletude.
E o wabi-sabi está em destaque nas redes sociais. Está ligado a tudo, desde design de interiores até tendências de maquilhagem e felicidade.
Então, o wabi-sabi pode melhorar o seu bem-estar? Aqui está o que dizem as evidências psicológicas.
O que é o wabi-sabi?
No seu núcleo, o wabi-sabi, como é geralmente entendido no Ocidente, baseia-se em três ideias simples: as coisas são imperfeitas, as coisas mudam e as coisas nunca estão totalmente concluídas.
Não há muita investigação científica sobre o wabi-sabi em si. Não encontrará ensaios clínicos testando os efeitos de “tornar-se wabi-sabi”.
Mas as ideias por trás do wabi-sabi refletem vários princípios bem estabelecidos na psicologia – responder com gentileza à imperfeição, aceitar a mudança e aliviar o perfeccionismo rígido.
** Leia mais: Sobre o que realmente trata a estética japonesa ‘wabi-sabi’? ‘Chá miserável’ e solidão, para começar**
Imperfeição e autocompaixão
O wabi-sabi começa com a imperfeição. Em vez de disfarçar rachaduras, ela as incorpora. A falha torna-se parte do carácter do objeto, não uma prova de que é inútil.
Em termos psicológicos, isso assemelha-se à autocompaixão – responder aos próprios erros ou deficiências com calor e cuidado, em vez de autocrítica severa.
A autocompaixão não finge que os erros não existem. Ela muda a forma como nos relacionamos com eles.
Pesquisas mostram consistentemente que pessoas mais autocompassivas relatam menor ansiedade e depressão, além de maior bem-estar.
Quando intervenções ajudam as pessoas a desenvolver essa habilidade, a saúde mental muitas vezes melhora.
Como a tigela reparada, a pessoa não é definida pela rachadura. Ela é reconhecida e passa a fazer parte da sua história.
Impermanência e aceitação
O wabi-sabi também nos lembra que nada dura. Tudo muda.
Parte do nosso sofrimento vem não apenas da mudança em si, mas de insistirmos que as coisas não devem mudar. Queremos que os relacionamentos permaneçam iguais. Desejamos que nossos corpos não envelheçam. Queremos que os planos se desenrolem exatamente como esperado.
Quando a realidade muda e resistimos a ela, a luta se intensifica.
Na psicologia, aceitação significa permitir que pensamentos, emoções e mudanças ocorram sem tentar constantemente afastá-los ou controlá-los.
Terapias modernas, como a “terapia de aceitação e compromisso”, ensinam essa habilidade porque resistir a experiências inevitáveis muitas vezes aumenta o sofrimento.
A atenção plena – prestar atenção ao que está acontecendo agora, sem julgar ou tentar consertar imediatamente – é uma forma de praticar aceitação.
Visto dessa forma, o foco do wabi-sabi na impermanência não é uma resignação passiva. Reflete uma percepção prática. Quando a mudança é inevitável, reduzir a luta contra ela pode diminuir o sofrimento.
Incompletude e perfeccionismo
A terceira ideia do wabi-sabi é a incompletude. Nada está totalmente acabado.
Isso contraria uma forma de perfeccionismo que os psicólogos chamam de perfeccionismo clínico. Não é simplesmente querer fazer bem. Acontece quando as pessoas baseiam seu valor próprio em atender a padrões extremamente altos e respondem a falhas com autocrítica severa.
Pesquisas associam esse tipo de perfeccionismo à ansiedade e depressão.
A autocompaixão pode oferecer uma mudança de perspectiva semelhante. Quando as pessoas respondem a contratempos com compreensão, em vez de autocrítica severa, o custo psicológico da imperfeição diminui.
O wabi-sabi não rejeita esforço ou aspiração. Questiona a crença de que é preciso ser perfeito para ser aceitável.
Imperfeição e significado
Recentemente, escrevi que o significado não surge de planos de vida perfeitamente executados. Ele cresce a partir de ações repetidas, valiosas, muitas vezes confusas, incompletas e imperfeitas. O wabi-sabi ecoa isso.
Se esperarmos por condições perfeitas antes de agir, podemos esperar indefinidamente. O projeto nunca parecerá suficientemente polido. O momento nunca parecerá exatamente certo.
Mas o bem-estar é fortemente moldado pelo que fazemos repetidamente, especialmente quando essas ações estão alinhadas com nossos valores. Dessa perspectiva, a imperfeição não é um obstáculo ao significado. Muitas vezes, é o ambiente onde o significado se desenvolve.
A tigela reparada ainda é usada.
O músico continua tocando após uma corda quebrada.
O pai pede desculpas e tenta novamente.
** Leia mais: Esqueça grandes planos. Pequenas mudanças podem dar mais sentido à sua vida**
Imperfeição e conexão
Há também uma dimensão social.
Pesquisas mostram que vulnerabilidade pode fortalecer relacionamentos. Em outras palavras, quando as pessoas reconhecem erros ou limitações, muitas vezes são vistas como mais relacionáveis e confiáveis.
Apresentar-se como perfeito pode criar distância. Permitir que as rachaduras sejam visíveis pode criar conexão.
O wabi-sabi oferece uma imagem simples para isso. A rachadura não é escondida. Torna-se parte da história.
Limites do wabi-sabi
É importante não exagerar o que o wabi-sabi oferece.
Não há evidências de que adotá-lo como uma filosofia nomeada garanta felicidade. Não é um tratamento para depressão. E aceitar não significa tolerar injustiças ou desistir de melhorias.
Mas, em seu núcleo, o wabi-sabi questiona se nossas expectativas se tornaram demasiado polidas.
Pergunta se algumas de nossas expectativas – sobre nossos corpos, nossa produtividade, nossos relacionamentos – se tornaram tão polidas que não deixam espaço para sermos humanos.
Como posso usá-lo?
O wabi-sabi pode não oferecer algo totalmente novo. Mas captura, em uma única imagem, várias habilidades psicológicas que a pesquisa sugere que podem ajudar as pessoas a viver bem.
Convida-nos a:
O wabi-sabi não é um atalho para a felicidade. Mas, como imagem e prática, reflete uma ideia psicológica fundamentada.
O bem-estar é menos sobre apagar as rachaduras e mais sobre continuar a viver, agir e conectar-se com elas visíveis.