O que as pessoas realmente desejam não é necessariamente o amor


Muitas pessoas pensam que precisam de um namoro por causa da solidão, porque lhes falta uma pessoa íntima na vida. Mas, ao refletir, descobre-se que o que realmente incomoda não é «não ter um namoro», mas não ter alguém com quem partilhar o mundo.
Ao ver uma nuvem escura que não traz chuva no céu, acham-na estranha e bonita; ao passar por uma árvore torta, acham-na como uma vida teimosa; ao encontrar um cãozinho desajeitado, param para o olhar mais vezes. Esses momentos parecem sem importância, mas são muitas vezes o fluxo emocional mais verdadeiro de uma pessoa.
O problema não está em saber se estas coisas merecem ser ditas, mas sim: há alguém disposto a ouvir?
Na verdade, as pessoas vivem em dois mundos. Um é o mundo real: comer, trabalhar, ganhar dinheiro, sobreviver; o outro é o mundo das sensações: aqueles toques indescritíveis, pensamentos repentinos, emoções miúdas e suaves. O primeiro mantém a vida, o segundo constitui a vida.
E o sofrimento de muitas pessoas reside precisamente no facto de o segundo mundo não ter ninguém que entre.
O namoro é tão desejado não apenas pela paixão e companhia, mas porque oferece uma relação de «empatia elevada». Os teus pormenores são acolhidos, as tuas emoções são respondidas, um céu que fotografaste ao acaso, uma tolice que disseste sem pensar — tudo é levado a sério por alguém. Essa sensação é, essencialmente, uma confirmação: afinal, os meus sentimentos têm peso.
Por isso, muitas pessoas querem namorar, mas não estão necessariamente à procura de amor, e sim de uma sensação de «serem testemunhadas».
Querer enviar a nuvem a alguém, não porque a nuvem é importante, mas porque o teu estado de espírito ao vê-la é importante. Querer partilhar o cão com alguém, não porque o cão é desajeitado, mas porque naquele momento o teu coração amoleceu. Aqueles afectos indescritíveis não são necessariamente amor entre homem e mulher; parecem mais uma força vital, à procura de uma saída, de fluir para outra pessoa.
Mas há aqui uma diferença importante: o desejo de partilhar não equivale a amor.
Os amigos podem suportá-lo, a família pode suportá-lo, até relações breves mas sinceras o podem suportar. O namoro é apenas uma das formas, e muitas vezes a de maior custo, mais expectativas e maior risco.
Se toda a necessidade de «ser compreendido» for colocada no amor, as pessoas facilmente confundem solidão com falta de amor, e o desejo de companhia com a obrigação de namorar.
Na verdade, não é preciso ter amor, mas é preciso ter ligação.
Essa ligação pode ser apenas uma pessoa disposta a ouvir-te dizer: «A nuvem de hoje é estranha.» E responder: «Sim, parece um barco perdido.»
É uma resposta simples assim que te faz saber que não estás sozinho(a) a sentir o mundo.
Por isso, mais importante do que «devo ou não namorar?» é a questão:
Tens alguém que possa ver o mundo contigo?
Porque o que as pessoas realmente desejam não é necessariamente o amor em si, mas sim, ao longo da longa vida, ter alguém com quem partilhar aqueles momentos insignificantes, mas brilhantes.
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