Ao tomar decisões irreversíveis sobre a vida, é preciso ter cuidado, e ainda mais cuidado.



Uma das coisas de que eu mais me arrependo depois de criar gatos é ter castrado o filhote cedo demais. Depois de ouvir os vários benefícios da castração de machos e as consequências de o gato “guardar rancor” pelo procedimento, eu acabei “desarmando” o pequeno assim que ele tinha idade.

Na primeira vez que criei um gato, eu não tinha feito esse tipo de papel de responsável antes. Só depois é que percebi que meu bebê era lindo e inteligente, meio que com filtro de pai/mãe “coruja”. Eu achava que nenhum outro Golden Shorthair ficava tão bonito quanto o meu, nem tão esperto quanto o meu. E ficava muito triste por não ter deixado alguns filhotes lindos e inteligentes para castrar também.

Depois que a castração acontece, não dá para “reverter”. Mas, quando eu quis “desarmar” (no sentido de fazer o procedimento), isso podia ser feito a qualquer momento. No futuro, ao criar filhos, também é assim: se você quer ter, pode esperar e cuidar disso a qualquer momento; mas, uma vez que eles nascem, não há mais como voltar atrás.

Então, depois de passar por criar gatos, meu entendimento sobre decisões irreversíveis ficou ainda mais profundo. No fim, é que só se percebe de verdade quando se vive a situação: no papel é sempre raso, e só depois de passar por ela é que fica realmente claro o quanto é difícil.
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