O mercado de zinco tem apresentado fenômenos interessantes que merecem atenção. Acabei de analisar alguns dados de mercado de 2026 e percebi que a situação do zinco é relativamente complexa — à primeira vista, os preços estão se recuperando, mas a pressão de oferta ainda é bastante significativa.



Vamos começar com o cenário do ano passado. O preço do zinco em 2025 passou por uma montanha-russa. No início do ano, estava em 2927 dólares por tonelada, e até o final de abril caiu para 2562 dólares, uma queda de quase 14%. A principal razão foi o pânico causado pelas tarifas de Trump, que geraram receios de impacto na demanda do setor imobiliário e manufatureiro. Mas, posteriormente, os riscos se aliviaram, os preços começaram a subir lentamente, fechando o ano em 3088 dólares. Todo o movimento de preços do zinco em 2025, do ponto mais baixo ao final do ano, teve uma alta considerável.

Porém, há um risco oculto — embora os preços estejam em alta, o mercado permaneceu em excesso de oferta. O Grupo de Pesquisa Internacional de Chumbo e Zinco prevê um excedente de 85.000 toneladas em 2025. Ainda mais interessante, apesar do excesso, os estoques na London Metal Exchange (LME) diminuíram, caindo de mais de 230.000 toneladas no início do ano para apenas 33.000 toneladas em novembro. Essa contradição indica que a demanda por zinco ainda existe, embora seja instável.

As expectativas para 2026 são ainda mais relevantes. As instituições de pesquisa de mercado estimam que a demanda global por zinco refinado crescerá apenas 1%, atingindo 13,86 milhões de toneladas. Essa taxa de crescimento é muito baixa. Ao mesmo tempo, novas capacidades de mineração estão sendo liberadas — projetos na Portugal, Austrália, Brasil, Congo e China estão em fase de implementação ou reativação. Especialmente, a mina Huoshiyun, em Xinjiang, está prestes a entrar em operação, tornando-se a sexta maior mina de chumbo e zinco do mundo. A produção de zinco refinado deve crescer 2,4%, chegando a 14,13 milhões de toneladas. Como resultado, estima-se que em 2026 haverá um excedente de 271.000 toneladas.

Quanto às previsões de preço, a Fastmarkets acredita que o primeiro semestre ainda terá impulso de alta, mas o segundo pode enfrentar pressão. O Morgan Stanley projeta uma média de preço de 2900 dólares por tonelada para 2026. Considerando que já estamos em maio, a maior parte do movimento de alta do primeiro semestre provavelmente já se concretizou, e o que resta é observar se a pressão de oferta no segundo semestre conseguirá reduzir os preços.

Curiosamente, a fraqueza contínua do mercado imobiliário na China tem pesado na demanda. No ano passado, as vendas de imóveis chineses caíram 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar das tentativas do governo de estimular o setor, os efeitos ainda são limitados. Nos EUA, a situação também não é melhor — preços elevados de imóveis e altas taxas de juros têm freado o início de novas construções. Esses fatores representam uma pressão direta sobre a demanda por zinco.

Por outro lado, há sinais positivos. Os EUA classificaram o zinco como mineral estratégico e crítico, o que deve valorizar a atenção à oferta doméstica. As políticas recentes do governo Trump podem estimular investimentos em infraestrutura, beneficiando a demanda por zinco. Além disso, a tensão nas relações comerciais entre China e EUA pode, na verdade, favorecer os produtores ocidentais de zinco.

De modo geral, o cenário para o mercado de zinco em 2026 é este: capacidade de produção em expansão, demanda crescendo lentamente e preços potencialmente sob pressão contínua. Para investidores que desejam participar, talvez seja necessário ter paciência e esperar para ver se o equilíbrio entre oferta e demanda mudará na segunda metade do ano. Essa pode ser uma oportunidade para aqueles que têm paciência.
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