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Tenho pensado bastante em prata ultimamente, especialmente com toda a conversa sobre ela como um ativo de refúgio seguro. Notei algo interessante ao pesquisar a história do preço — o maior preço de prata já registrado foi lá em 1980, quando atingiu US$ 49,95 por onça. Surreal, né? Mas o mais importante: isso não aconteceu por condições normais de mercado.
Dois traders ricos chamados irmãos Hunt literalmente tentaram monopolizar todo o mercado de prata. Eles não estavam apenas comprando prata física — também estavam acumulando contratos futuros. Depois, decidiram realmente receber a entrega desses contratos ao invés de liquidar em dinheiro. Era basicamente uma tentativa de manipulação massiva, que explodiu espetacularmente em 27 de março de 1980. Esse dia ficou conhecido como Quinta-feira da Prata, quando o preço despencou até US$ 10,80. Uma verdadeira carnificina.
Então, tecnicamente, sim, o maior preço de prata foi US$ 49,95, mas veio com um asterisco. O pico mais "legítimo" aconteceu em abril de 2011, quando a prata atingiu US$ 47,94, impulsionado por demanda real de investimento, e não por manipulação de mercado. Ainda assim, foi um movimento enorme — mais do que o triplo da média de 2009.
O que tem chamado minha atenção recentemente é como a prata tem se comportado em 2024 e até 2025. Começou o ano bem fraca, mas depois ganhou força na primavera e no começo do verão. Quebrou a marca de $30 em maio, e no final de outubro estava em torno de US$ 34,20 — o nível mais alto em 12 anos até então. Isso é um movimento sério, quase 50% de alta no ano. Os fatores que impulsionaram foram bem clássicos: incerteza na eleição dos EUA, tensões no Oriente Médio, expectativas de mais cortes de juros, além de toda a transição para energia limpa que aumenta a demanda por solar.
O que a maioria das pessoas não percebe é o quão volátil a prata realmente é em comparação com o ouro. Ela é negociada globalmente 24/7 em Londres, Nova York, Hong Kong — você pode comprar lingotes físicos, negociar contratos futuros ou pegar um ETF. Mas, por ser usada tanto para investimento quanto para fins industriais — painéis solares, eletrônicos, aplicações médicas — o preço sofre oscilações por diferentes fatores de demanda. Um dia os investidores entram com força, no outro a demanda industrial fica mais fraca.
Tem também o lado da manipulação, que vale a pena conhecer. Os bancos foram pegos manipulando os preços da prata por anos — a Deutsche Bank literalmente apresentou provas contra UBS, HSBC e outros em 2015. O JPMorgan também já esteve na Justiça por alegações semelhantes. Eles acabaram pagando (milhões em 2020 para resolver. O Fix de Prata de Londres foi substituído em 2014 por algo supostamente mais transparente, mas vamos dizer que os observadores do mercado ainda estão céticos.
Então, aqui vai a parte interessante: a prata vai voltar a atingir aquele nível de US$ 49,95? Ou até passar dele? O maior preço de prata já registrado pode não estar no passado. A oferta está restrita — México, China e Peru são os principais produtores, mas a produção vem caindo. Enquanto isso, a demanda deve crescer 2% em 2024, com a energia solar impulsionando um aumento de 20% no uso industrial. O mercado deve, na verdade, registrar um déficit de 215 milhões de onças.
Pessoalmente, acho que as condições estão se formando para a prata testar níveis mais altos. Mas tudo depende se ela consegue se manter acima daquele )nível psicológico. Essa é a principal resistência. Se conseguir, podemos ver uma ação de preço bem interessante pela frente. Vale a pena ficar de olho.