Existe uma grande desconexão entre a percepção dos investidores sobre o que está ocorrendo no universo cripto e a realidade do mercado.
As principais fontes de alpha nos mercados financeiros são de natureza comportamental. Investidores cometem erros constantemente e, ao identificar e aproveitar essas falhas, é possível obter retornos expressivos.
O viés comportamental que mais gosto de explorar é o viés de ancoragem: a tendência de se fixar na primeira informação recebida. É por isso que o varejo precifica produtos a US$ 9,99 em vez de US$ 10,00. O “9” chama atenção e permanece na mente do consumidor.
O viés de ancoragem foi um dos fatores que me levaram a ingressar no setor cripto em tempo integral em 2018. Naquele momento, a maioria via cripto como uma piada. Muitos tiveram o primeiro contato durante o escândalo do Silk Road em 2013 ou com o colapso da Mt. Gox em 2014, acompanhando ciclos intensos de volatilidade. Tive o privilégio de ouvir de pessoas de confiança que valia a pena levar cripto a sério e, ao analisar o setor além das aparências — observando o que realmente era, não o que diziam ser — fiquei impressionado. A tecnologia era superior e o potencial muito maior do que a maioria imaginava. Muitos ainda estavam presos à visão de 2014.
Hoje, tenho a mesma sensação daquele período.
O mundo está dando sinais claros
Em todos os lugares, Wall Street anuncia que as finanças estão migrando para a blockchain. Não é apenas uma parte: é o setor inteiro.
No último mês de julho, o presidente da SEC, Paul Atkins, lançou o “Project Crypto”, uma iniciativa para modernizar a regulação do mercado de valores mobiliários dos EUA, permitindo que, segundo suas palavras, “as finanças migrem para a blockchain”. E essa migração já está em curso:
Além disso, o JPMorgan lançou um token de depósito na rede Base da Coinbase. A Fidelity está contratando um gestor de cofres DeFi. E a lista segue.
Os valores envolvidos são gigantescos. ETFs somam US$ 30 trilhões, ações US$ 110 trilhões e títulos US$ 145 trilhões. Compare com o mercado tokenizado atual: US$ 20 bilhões. Se Larry Fink estiver correto ao afirmar que “toda ação, todo título... será tokenizado”, o mercado pode crescer 10.000 vezes e ainda ter potencial de expansão.
A desconexão
Mesmo assim, os investidores tradicionais permanecem alheios a esse movimento.
O motivo é o viés de ancoragem. Eles olham para cripto e ainda enxergam um jovem rebelde tatuado. Não percebem que esse perfil mudou: agora ele veste terno e está construindo a infraestrutura que sustentará a próxima geração do mercado de capitais.
Curiosamente, os próprios investidores em cripto também parecem não perceber. Sofrem da síndrome do “menino que gritava lobo”: ouviram tantas promessas de adoção institucional que já não reagem mais.
No entanto, os dados são claros. Observe o gráfico do crescimento dos ativos do mundo real tokenizados. A curva é mais íngreme que o Everest.

Fonte: Bitwise Asset Management, com dados da RWA.xyz. Período de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2025.
Observação: emissores de stablecoins como Circle e Tether foram propositalmente excluídos.
Aproveitando a oportunidade
O desafio dessa percepção é saber exatamente como capturar valor a partir dela. Isso porque existem grandes questões em aberto no universo cripto atualmente. Entre elas:
Tenho opiniões sobre todas essas questões — e vou abordá-las nos próximos meses. Mas, honestamente, a resposta para a maioria delas ainda é: ninguém sabe. O que está claro para mim é que existe um grande delta entre a percepção do que está acontecendo em cripto e a realidade do setor. Na minha visão, essa diferença representa uma oportunidade significativa — não para tentar prever vencedores antes da hora, mas para construir uma exposição diversificada enquanto o mercado ainda não precificou corretamente essa mudança estrutural.
As maiores oportunidades de alpha surgem quando a narrativa dominante está ultrapassada, a realidade já mudou e os investidores permanecem presos à história antiga. É exatamente esse o cenário atual do mercado cripto. Se você conseguir enxergar a realidade, há um grande potencial de ganhos.
Riscos e informações importantes
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Negociar criptoativos envolve riscos elevados, incluindo oscilações bruscas de preço, quedas repentinas, manipulação de mercado, riscos cibernéticos e possibilidade de perda total ou parcial do capital investido. Além disso, mercados e exchanges de criptoativos não contam com os mesmos controles ou proteções ao cliente oferecidos em investimentos em ações, opções, futuros ou câmbio.
Negociar criptoativos exige conhecimento específico sobre esses mercados. Ao buscar lucros nesse segmento, você estará competindo com traders do mundo inteiro. É fundamental ter conhecimento e experiência adequados antes de realizar operações substanciais. A negociação de criptoativos pode resultar em perdas financeiras expressivas e imediatas. Em determinadas condições de mercado, pode ser difícil ou impossível liquidar rapidamente uma posição a um preço justo.
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