Em entrevista ao BeInCrypto, Dr. Han explicou os fatores que impulsionaram esse crescimento, destacou por que acredita que a fronteira entre cripto e ativos tradicionais está desaparecendo e como a inteligência artificial está prestes a transformar a maneira como as pessoas negociam.
Dr. Han fundou a Gate — inicialmente lançada como Bter.com — sozinho. Treze anos depois, a exchange disponibiliza mais de 50 produtos e serviços. Mas ele faz questão de minimizar os números.
“O número não é tão relevante. O mais importante é que, ao criar um produto, ele precisa ser muito bem refinado. Uma pontuação de 80% não basta. É preciso atingir de 90% a 95% de qualidade. O produto tem que ser sempre o número um”, afirmou.
A filosofia de priorizar o produto se refletiu na cobertura de ativos desde o início. Em 2013, a Gate foi uma das primeiras exchanges a listar altcoins de forma agressiva, oferecendo mais de 100 ativos enquanto a maioria das plataformas limitava-se a poucos. “Naquela época, éramos a única exchange capaz de fazer isso”, relembrou Dr. Han.
Segundo ele, a próxima fase de crescimento virá dos mercados regulados. A Gate atualmente possui licenças em 80 jurisdições, incluindo 44 estados dos EUA e cobertura em mais de 20 países europeus sob o MiCA. A plataforma também detém licenças em Dubai, Japão e Austrália.
“Lançamos nossa plataforma para áreas reguladas no ano passado, mas este ano queremos expandir a base de usuários nesses locais”, disse Dr. Han, reconhecendo que competir com players locais já estabelecidos na Europa e outras regiões ainda é um desafio. “Em algumas áreas, existem players locais que atuam ali há muitos anos. Somos o novo player. Precisamos aumentar nossa visibilidade.”
A Gate está expandindo além dos ativos nativos de cripto para o que o setor chama de integração TradFi. A exchange agora oferece ações tokenizadas, ouro, prata, commodities e índices de ações — todos negociáveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, na mesma plataforma onde os usuários administram seus portfólios de cripto.
Dr. Han identificou duas limitações dos mercados tradicionais que impulsionaram essa mudança: restrições regionais que impedem usuários de muitos países de abrirem contas em corretoras dos EUA e os horários limitados de funcionamento das bolsas convencionais.
“Com cripto, conseguimos oferecer um sistema de altíssima acessibilidade. Eles podem negociar 24/7, em qualquer lugar, em qualquer país. Têm acesso a todos os tipos de cripto e ativos tradicionais juntos, gerenciados de forma integrada. Fica muito mais fácil para eles”, explicou.
Ele também ressaltou um benefício prático para a construção de portfólios. Os ativos de cripto são altamente correlacionados — quando o Bitcoin cai, a maioria dos altcoins acompanha. A inclusão de ativos tradicionais não correlacionados, como ouro ou ações dos EUA, proporciona diversificação real pela primeira vez em uma única plataforma.
“Antes, só era possível negociar cripto, e quase todos os ativos eram correlacionados. Com ativos tradicionais, surge uma alternativa. Ouro não tem relação com Bitcoin. Você pode escolher prata, commodities, ações americanas. Existem várias opções para gerenciar seu portfólio e reduzir riscos”, explicou Dr. Han.
Para o futuro, ele acredita que a distinção entre cripto e ativos tradicionais irá desaparecer totalmente. “No futuro, você não vai precisar distinguir o que é cripto e o que é ativo tradicional. Todos serão vistos como seus ativos. Isso vai mudar a forma como os usuários gerenciam seus portfólios.”
A conversa avançou para inteligência artificial, onde Dr. Han apresentou o conceito de “Web3 inteligente” — uma visão em que agentes de IA substituem as interfaces complexas hoje presentes na negociação de cripto.
Segundo ele, o problema é claro: os produtos de cripto ficaram muito complexos, especialmente para quem está começando. “Você vê muitos números, botões — negociação spot, futuros, opções, rendimentos. Qual usar? Como começar? É difícil para as pessoas”, afirmou. “E o Web3 é ainda mais complicado. Existem mais de 10.000 DApps. Milhões de tokens lançados a cada ano. Não dá para saber qual escolher.”
A estratégia da Gate ocorre em duas etapas. A primeira, já disponível, utiliza agentes de IA para ajudar usuários a navegar pelas interfaces atuais — verificando informações de tokens, explicando recursos da plataforma e sugerindo estratégias de negociação. A segunda etapa é mais ousada: substituir completamente a interface tradicional.
“Não será mais necessário usar a interface antiga, nem as ferramentas antigas. Basta informar ao agente de IA o que deseja. O agente de IA cuida de todo o resto”, afirmou Dr. Han. “Se quiser comprar Bitcoin, diga ‘me ajude a comprar Bitcoin’. Se quiser rendimento, diga à IA ‘quero colocar meu Bitcoin para gerar rendimento’. A IA encontra o melhor retorno para você e pronto.”
Ele prevê que essa transição será perceptível em um ano e transformadora em dois — um prazo que considera mais realista do que os cinco anos geralmente citados no setor.
“Não acredito que sejam cinco anos. Dois anos, no máximo”, disse.
Além da experiência do usuário, Dr. Han vê a IA transformando o fluxo de capital nos mercados. Ele argumenta que a alocação de capital feita por humanos é ineficiente — pessoas mantêm ativos parados enquanto projetos promissores ficam sem recursos. Agentes de IA, atuando 24/7 e processando informações em grande escala, podem aprimorar esse fluxo.
“Para uma pessoa, não dá para garantir que ela vai lucrar. Mas para o ecossistema como um todo, o benefício será certo”, afirmou. “A IA pode fazer o trabalho operacional por você. Assim, você pode direcionar sua energia para outras áreas e usar sua inteligência real.” Gate já começou a aplicar IA internamente. Segundo Dr. Han, quase toda a codificação front-end da empresa já é feita por IA, e o desenvolvimento back-end deve seguir em breve.





