Com a disputa entre blockchains públicas migrando de uma “corrida por desempenho” para uma batalha por “estrutura de mercado”, os mecanismos de ordenação de transações passam a ser o novo fator central. O Constellation, apresentado pela Anza, representa uma evolução fundamental de arquitetura, criada para enfrentar esse desafio de forma direta.
Diferente das abordagens convencionais que buscam aumentar o TPS ou reduzir taxas de Gas, o Constellation repensa radicalmente “quem decide a ordem das transações”. A principal inovação está na introdução do Multi-Proposer Concurrency (MCP), que expande o direito de propor transações de um único nó para um processo colaborativo em toda a rede. Essa mudança transforma profundamente a dinâmica de poder na produção de blocos.
Na arquitetura vigente da Solana, cada slot é comandado por um único Líder, responsável pelo processamento das transações e construção dos blocos. Apesar de proporcionar alta performance, esse modelo traz desafios estruturais:
Todos esses pontos derivam de uma lógica central: Poder de ordenação centralizado → Retorno concentrado → Incentivos desequilibrados
Fonte da imagem: Anza Constellation Protocol Page
O grande diferencial do Constellation é dividir o processo de proposição de transações—antes monopólio do Líder—em tarefas paralelas executadas por múltiplos participantes, criando um “mercado de transações concorrente”. O fluxo ocorre assim:
Esse mecanismo promove três mudanças essenciais:
Na prática, o Constellation transforma a geração de blocos de um “processo linear” em um “sistema concorrente”.
Tradicionalmente, a inclusão de uma transação em bloco depende, em grande parte, do critério subjetivo do Líder. O Constellation, porém, incorpora a resistência à censura diretamente nas regras do protocolo:

Quando ao menos 40% dos attesters validam uma transação, o Líder é obrigado a incluí-la no bloco.

Caso uma transação não seja suficientemente confirmada (por exemplo, não atinja um patamar superior), o bloco pode ser pulado ou considerado inválido.
Esse modelo traz efeitos diretos:
Na essência, o sistema deixa de “confiar em nós” para “confiar nas regras do protocolo”.
O Constellation não só altera a estrutura técnica, mas também reinventa o modelo de incentivos econômicos. As taxas se dividem em dois tipos principais:
A principal inovação está na distribuição das taxas de ordenação:
Os efeitos desse modelo incluem:
Esse passo é fundamental, pois ataca o risco de “descentralização técnica, mas centralização econômica”.
O Constellation não elimina o MEV—ele transforma sua natureza. Estruturalmente, três cenários podem ocorrer:
Resumindo, o MEV passa de “retorno oculto” para “competição explícita”.
Hoje, o setor se divide entre duas abordagens principais para o MEV:
As diferenças centrais são:
Essas abordagens representam direções opostas para o desenvolvimento do ecossistema.
O ciclo de transações de 50ms do Constellation aproxima os sistemas on-chain das velocidades de matching da finança tradicional, provocando mudanças estruturais:
Esses avanços sugerem que o DeFi pode evoluir da fase de “liquidez automatizada” para uma era de “estruturas de mercado complexas”.
Apesar do design avançado, a nova estrutura do Constellation pode trazer desafios inéditos:
Ou seja, os problemas não desaparecem—eles migram para novas camadas e dinâmicas de competição.
O Constellation não é uma atualização isolada; faz parte da estratégia de longo prazo da Solana. Caminhos futuros incluem:
A longo prazo, o objetivo vai além de desempenho: é transformar a blockchain em uma infraestrutura que espelhe de fato os mercados financeiros reais.
O verdadeiro diferencial do Constellation está na redistribuição do “poder de ordenação de transações”. Com seu mecanismo de concorrência multi-proponentes, ele promove três transformações centrais:
Se implementado com êxito, esse mecanismo inaugura uma nova era para blockchains públicas—em que a competição não será apenas por velocidade, mas por quem consegue construir uma estrutura de mercado mais justa e eficiente.





